Depois da gravidez, elas “interditaram” os seios no sexo: há quem só transe de sutiã


Amamentação muda a forma como a mulher lida com os seios (Foto: Getty Images)

Gerar um bebê provoca não apenas transformações físicas evidentes como o aumento das mamas, mas também pode mudar a percepção da mulher sobre essa parte do próprio corpo. De repente, os seios que eram sinônimo de sedução e prazer sexual se tornam a fonte de nutrição do bebê.

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Nem todas as mães e respectivos (as) parceiros (as) conseguem lidar com essas funções tão distintas sem conflitos internos. Conversamos com três mulheres sobre como a gravidez e a amamentação ressignificaram a relação delas com os seios. Há quem só transe de sutiã há quase dois anos. Confira os depoimentos abaixo:

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“Nunca tive peitos grandes, então não achava que eram meu ponto forte. Antes de ser mãe, eles faziam parte das preliminares, mas sem uma grande tara. Na gravidez, eu e meu marido já passamos a evitar a área porque me sentia desconfortável. Depois que nosso filho nasceu, o peito virou do bebê e ficou sagrado. Desde a primeira vez que transamos no pós-parto, automaticamente tirei a roupa… menos o sutiã. Até hoje, quase dois anos depois, sempre transo de top ou sutiã. É uma forma de preservar essa área – não consigo imaginar meu marido tocando lá. Também tenho receio de vazar leite durante o sexo e, embora isso nunca tenha acontecido, acho que acabaria total com o clima. Leite é do bebê… não combina com sexo, sabe? Como ainda amamento em livre demanda, parece que os peitos nunca mais vão fazer parte da minha vida sexual. Amamento o tempo todo e em todo lugar, às vezes até esqueço que essa parte do corpo já teve outra função. Perdi totalmente a malícia em relação a eles, é como se fossem feitos só pra alimentar bebês… Brinco com meu marido que, depois do desmame, precisarei de terapia pro peito voltar a ser meu (risos)”.

*Anaclara, 32 anos, jornalista, casada, filho de 1 ano e 8 meses.

“Sempre tive muito tesão nos meus seios, assim como meu marido. O desconforto começou a partir do nascimento da minha primeira filha. Quando voltamos a fazer sexo, quatro meses após o parto, o peito simplesmente ficou fora da jogada – embora não tenha rolado uma conversa sobre isso. Eu não queria que eles fizessem parte da relação sexual… Não que seja uma parte do corpo sagrada ou “da bebê”. Pra mim, a questão é a possibilidade de vazar leite. O leite me lembraria, no meio do sexo, que sou mãe. E isso me brocharia na hora. Sinto como algo que não deve ser usado pro prazer, mas pra nutrir minha filha. Já aconteceu de o meu marido botar a boca no meu peito enquanto transávamos e sair leite. Fiquei muito desconfortável e pensando ‘O que você está fazendo? Tira a boca daí!’, mas disfarcei para não cortar o clima. Ele agiu com naturalidade, mas depois eu pedi que não fizesse aquilo de novo. Então, mesmo sem sutiã, ele não chega nem perto para estimular. Como emendei uma gravidez na outra, não sei quando os peitos voltarão a fazer parte do sexo… mas espero que voltem”.

*Paula, 35 anos, professora, casada, filhas de 3 anos e 10 meses.

“Minha relação com meus peitos sempre foi muito intensa. Eles despontaram do nada na puberdade e, apesar das estrias, me faziam sentir muito sensual. Depois eles caíram bastante numa fase em que engordei e, ao emagrecer, murcharam bem. Pensei em operá-los, mas tive medo de não poder amamentar – o que sempre foi um sonho. Com a gestação, ficaram enormes e empinados. No dia em que o leite desceu, apesar da dor, me senti uma deusa de tetas enormes (risos)! Mas, no meu imaginário, aqueles peitos deixaram de ter um apelo sexual. E olha que sempre foi uma zona muito erógena para nós dois. Era como se tivessem se tornado só fonte de nutrição do meu filho e até estranhava quando meu marido pegava neles… Colocar a boca, então, nem pensar! Agora, apesar de ainda amamentar, não tenho mais essa aversão. Talvez porque eu tenha aceitado que sou, ao mesmo tempo, mãe e um ser sexual. Não transo com meus peitos cobertos e, às vezes, vaza leite. Uma vez jorrou com um apertão do meu marido. Dei umas gargalhadas, ele tapou minha boca, disse uma baixaria e o tesão voltou. Amo meus peitos e me sinto ultrapoderosa! Eles alimentam a pessoa que mais amo no mundo e ainda me dão um baita tesão”.

*Bianca, 26 anos, doula, casada, filho de 7 meses.

Nathalia Ziemkiewicz, autora desta coluna, é jornalista pós-graduada em educação sexual e idealizadora do blog Pimentaria

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