Oscar 2020: A Netflix tem chance de levar o prêmio de melhor filme esse ano?


Será que “O Irlandês” leva? (Foto: Mike Marsland/WireImage)

Por Diego Olivares

Como um time de futebol que coloca a conquista da Taça Libertadores como sua principal obsessão, a Netflix também sonha anualmente em levar para casa o mais cobiçado troféu disponível em seu ramo de atuação. No caso, o Oscar de melhor filme. 

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A estratégia da gigante do streaming para atingir esse objetivo é clara: atrair nomes consagrados do cinema e dar-lhes oportunidades artísticas e financeiras cada vez mais distantes na realidade dos grandes estúdios, que torram a maior parte de seus orçamentos milionários em franquias de super-heróis, remakes e afins.

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O plano quase deu certo no ano passado, quando ‘Roma’ levou 10 indicações e 3 estatuetas (filme estrangeiro, fotografia e direção), mas foi derrotado na categoria principal pela comédia dramática ‘Green Book – O Guia’. 

Por mais que o filme extremamente pessoal do mexicano Alfonso Cuarón (que já tinha um Oscar de melhor direção na prateleira, por ‘Gravidade’) seja falado em espanhol e rodado em preto e branco, o que por si só dificultaria a vitória numa Academia ainda pouco acostumada a fugir do padrão tradicional norte-americano, o fato de ser uma produção Netflix foi considerado decisivo.

Ninguém menos do que Steven Spielberg, provavelmente o mais famoso dos cineastas vivos de Hollywood, é um dos mais críticos a essa invasão da plataforma nas categorias do Oscar. Ele já chegou a dizer, em 2018, que os filmes da Netflix deviam concorrer ao Emmy, como longas-metragens feitos para a TV, e não nas premiações de cinema.

Aposta em Scorsese

Atacada por um peso-pesado como Spielberg, a empresa de streaming apostou num nome do mesmo patamar. Acolheu o veterano Martin Scorsese (de ‘Taxi Driver’, ‘Touro Indomável’, ‘Os Bons Companheiros’ e tantos outros clássicos) e fez o que nenhum outro estúdio se mostrou disposto a fazer: bancou ‘O Irlandês’ do jeito que o diretor queria, com 3 horas e meia de duração e um caríssimo trabalho em computação para rejuvenescer parte do elenco em algumas cenas.

Em entrevista ao ‘The Hollywood Reporter’, Scorsese rasgou elogios à Netflix por ter lhe possibilitado contar uma história que ele carregava consigo há anos, e disse considerar ideal o modelo no qual seu filme foi lançado, primeiro em salas de cinema selecionadas, e depois para o mundo inteiro ver com um simples toque no computador, ou no celular.

‘O Irlandês’ rendeu 10 das 24 indicações que a Netflix recebeu ao Oscar 2020, somadas todas as categorias. O número é maior do que o alcançado por qualquer outro estúdio na edição deste ano.

Além do longa de Scorsese, ‘História de um Casamento’, dirigido por Noah Baumbach (nome celebrado no circuito independente norte-americano desde o começo do século 21), é outro candidato à estatueta de melhor filme. Porém, no Globo de Ouro, em que os dois títulos concorriam ao prêmio principal ao lado de ‘Dois Papas’, outra produção original Netflix, o troféu ficou com ‘1917’, da Universal Pictures, dirigido por Sam Mendes.

Em seu discurso de agradecimento, Mendes reforçou que fez sua obra, um épico de guerra rodado de forma a parecer um único plano-sequência e mergulhar o público na zona de combate, para ser visto na tela grande do cinema. Muitos viram a frase como uma cutucada ao serviço de streaming, que, apesar das muitas indicações, saiu da cerimônia realizada em 5 de janeiro quase de mãos vazias. A única vitória foi para Laura Dern, de ‘História de Um Casamento’, como melhor atriz coadjuvante.

2021 já começou

Mesmo que os votantes do Oscar sigam o mesmo caminho que a Associação dos Jornalistas Estrangeiros em Hollywood (responsável pelo Globo de Ouro) e deixem a Netflix praticamente a ver navios este ano, a empresa já dá sinais de que não vai desistir tão cedo.

Para a temporada de premiações de 2021, a plataforma já tem engatilhado o drama biográfico Mank, sobre o tumultuado processo criativo do roteirista Herman J. Mankiewicz, autor do script de ‘Cidadão Kane’, considerado uma das obras-primas máximas do cinema. Gary Oldman (vencedor do Oscar em 2018 por ‘O Destino de Uma Nação’) interpreta o protagonista e a direção fica com David Fincher (indicado anteriormente por ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ e ‘A Rede Social’).

Sem medo de investir pesado para contar com os maiores nomes da sétima arte trabalhando em suas produções originais, a Netflix corre atrás da única coisa que seu dinheiro ainda não se mostrou capaz de comprar: a consagração junto à Academia.

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